A leitura atenta das entrevistas de Fernando Henrique Cardoso (candidato pela coligao do PSDB) e Luiz Incio Lula da Silva (da aliana liderada pelo PT)  Folha revela muito mais coincidncias do que divergncias.
Ambos mencionam a reforma tributria como ponto de partida, o que, de resto, segue uma lgica inescapvel: o Estado brasileiro est em evidente estado falimentar e no h governo que possa fazer o que quer que seja se, antes, no conseguir reorganizar racionalmente as suas fontes de recursos.
Bem feitas as contas, a diferena entre os dois candidatos que, ao menos por ora, so os favoritos na corrida para o Planalto  muito mais de biografia e de alianas.
Fernando Henrique, por sua vez, assume por inteiro a qualificao de social-democrata.
O sepultamento do comunismo, com a queda do Muro de Berlim em 1989 e a derrocada da Unio Sovitica em fins de 1991, acabou por tornar muito mais convergentes as posies de correntes polticas antes mais distanciadas e das lideranas que as representam nas disputas eleitorais.
Alm disso, o diagnstico sobre os males do Brasil est feito h algum tempo.
Apontadas as semelhanas e parte de suas causas, fica mais difcil assinalar diferenas realmente de fundo.
J o discurso de Fernando Henrique Cardoso, embora tambm trate dela, gasta mais palavras no tema da insero do Brasil no cenrio internacional.
A questo das privatizaes , talvez, o ponto mais ntido de divergncia.
Lula demonstra m vontade em relao no apenas s privatizaes j feitas, mas tambm no que se refere s que podem vir a ser feitas pelo futuro governo.
Mas, de todo modo, os dois coincidem em tentar retirar da discusso o aspecto ideolgico que cercava o tema at muito recentemente e que para alguns candidatos, como Leonel Brizola, permanece ainda como questo de princpios.
